As propagandas, os anúncios, as vitrines, os restaurantes, os outdoors, a imprensa e os estacionamentos dos shoppings, todos os sinais avisam que estamos às vésperas do Dia dos Namorados. Meu celular também avisa, mas não se trata de uma tarefa agendada, é que tem gente que eu não falo há séculos que anda ligando, rondando, perguntando, se insinuando...
Olha é divertido, quase tragicomigo, mas no geral, as pessoas tem dificuldade em passar a data sem “alguém para chamar de seu” e seguindo a programação rotineira: troca de presentes, restaurante (lotado e com atendimento péssimo) e a gigantesca fila no motel.
Eu acredito em mais uma data compulsória, comercial, que você é obrigado a fazer uma série de coisa que, de repente nem está tão afim deste determinado dia. Ai compra presente sem vontade, fica com raiva da fila, do estacionamento, do caixa, da numeração que falta... Vai jantar com horário marcado, fila na porta, perde a reserva o namorado atrasa, ou seja, uma noite de caos.
Tenho um casal de amigos que optou por viajar, nada muito glamoroso, mas fugindo totalmente do convencional, uma forma de aproveitar, a dois, o que a vida tem de bom. Adorei a idéia e confesso que, quando fiz um jantarzinho em casa ou programei viagens para data, aproveitei muito mais. Embora não tenha passado de mais um jantar ou momento turista, comum na relação.
O que vale é uma constante de momentos especiais. Uma boa dica é tirar proveito das risadas, das bobagens da vida, dos momentos de colo, do cafuné, lembrar sempre de quem está com você e não esperar uma data específica para isso. Mais que presente, doe atenção, tempo, dedique-se a entender as necessidades do outro e a prestar atenção nas falas, vontades. Repense sempre o que você pode fazer de melhor. E faça sempre o melhor, o retorno, normalmente é garantido e caso contrário, troque a mercadoria, o prazo de validade da relação deve ter expirado.
Por Paula Tubino
Relatos sobre uma visão crítica, útil, as vezes fútil e um pouco sarcástica de quem não deixa o mundo passar despercebido. A idéia é repercutir as falas, que de alguma forma me deixam inquieta, sob uma forma irônica, divertida e por que não, até mesmo fútil de um mundo vivenciado com os mais diversos personagens e sob uma visão muito pessoal.
terça-feira, 8 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
UM DOCINHO (DE LIMÃO SEM AÇÚCAR)
É TPM mesmo, não tem como fugir. Dói quase tudo, dá vontade de ficar na cama e falta vontade de interagir com a raça humana. Quase poética a frase, mas só a frase porque falta paciência para qualquer coisa. Não raros os dias que vem uma vontade de chorar sabe-se lá de onde, pode ser pela morte da formiga, que carregava alimento para o formigueiro no inverno ou porque não acha a tal pulseira lilás que combina com o scarpin.
Bom humor? Só quando isso tudo passar. Os homens não entendem o que é usar uma roupa numa determinada semana e na semana seguinte ficar apertada com as mesmas peças. Isso é retenção de líquido, mais um sintoma caótico da TPM, além do rosto que parece de uma adolescente, com cravinhos irritantes e o cabelo que fica meio elétrico. Então estou dando choque! Melhor não encostar porque das duas uma, ou grito ou mordo. Quer arriscar??
Por Paula Tubino
Bom humor? Só quando isso tudo passar. Os homens não entendem o que é usar uma roupa numa determinada semana e na semana seguinte ficar apertada com as mesmas peças. Isso é retenção de líquido, mais um sintoma caótico da TPM, além do rosto que parece de uma adolescente, com cravinhos irritantes e o cabelo que fica meio elétrico. Então estou dando choque! Melhor não encostar porque das duas uma, ou grito ou mordo. Quer arriscar??
Por Paula Tubino
quinta-feira, 20 de maio de 2010
MINHA BISAVÓ ACHARIA ESTE MUNDO MEIO ESQUISITO
Os meus amigos mais bonitos e mais sarados namoram com outros mais bonitos e mais sarados ainda. Aqui na agência o mocinho que senta ao meu lado, o mais novo integrante da equipe, envia por e-mail um curso de culinária.
No destinatário não está o meu e-mail, é para o designer que senta em outra baia. Por sinal, este segundo é quem prepara o café nosso de cada dia, na ausência da nossa secretária. Esta terceira pessoa, engraçadíssima, é quem prega algumas peças nos grandões.
Dizem que ela sai a caça de baratas mortas e, quando encontra, faz questão de deixar no toalete masculino. Por sinal, não raros são os gritos que ecoam de lá e as risadas dela por perto.
Eu? Bom, eu e a mocinha do financeiro discutimos se é mais interessante a aula de boxe ou de Muay Thai, como luta ou arte marcial, como preferem designar essas lutas.
Enquanto isso torcemos para que eles assumam as caçarolas, o café e a sobremesa, porque o mais próximo que chegamos da cozinha foi da bancada e da dispensa, para fazer a lista de compras.
Por Paula Tubino
No destinatário não está o meu e-mail, é para o designer que senta em outra baia. Por sinal, este segundo é quem prepara o café nosso de cada dia, na ausência da nossa secretária. Esta terceira pessoa, engraçadíssima, é quem prega algumas peças nos grandões.
Dizem que ela sai a caça de baratas mortas e, quando encontra, faz questão de deixar no toalete masculino. Por sinal, não raros são os gritos que ecoam de lá e as risadas dela por perto.
Eu? Bom, eu e a mocinha do financeiro discutimos se é mais interessante a aula de boxe ou de Muay Thai, como luta ou arte marcial, como preferem designar essas lutas.
Enquanto isso torcemos para que eles assumam as caçarolas, o café e a sobremesa, porque o mais próximo que chegamos da cozinha foi da bancada e da dispensa, para fazer a lista de compras.
Por Paula Tubino
terça-feira, 11 de maio de 2010
VAI ENTENDER...
Namorado novo, viagem para o sítio da família com os amigos. Ele avisa que biquíni é a peça fundamental da mala e ela intensifica a malhação. Quase chora no final da série em que levanta a perna com as caneleiras de 8 kg. Pula 1h sem parar em cima do jump, duas vezes por semana e resolve intensificar as aulas de spinning.
A explicação está em dissolver qualquer gordurinha extra e mandar para as cucuias qualquer resquício de celulite, aquelas malditas marquinhas odiadas pelo universo feminino e que insistem em aparecer.
Além do programa fitness também incorpora alimentação super saudável, rica em fibras, proteínas e zero gordura. Chocolate nem pensar, afinal, só faltam 20 dias para a viagem.
Para ter a certeza de que não fará feio entre a turma, a moça resolve investir em tratamentos estéticos. Algumas sessões de velashape, 3 para falar a verdade, com um custo de R$350,00 por sessão.
Aperta o bolso, o estomago, a coxa dói, mas tudo é uma questão de saúde, autoestima e de namorado novo. Embora o pouco tempo, a intensidade já mostra resultados satisfatórios.
A turma é ótima e em poucos minutos já está enturmada entre as “namoradas do grupo”, todas em volta da piscina.
Eles, ali bem próximos, na churrasqueira. O papo nesta roda é mulher e alguns sussurram baixinho suas opiniões, com medo da represália feminina. Eis que numa questão todos concordaram unanimemente e foi quando um deles disse: - Mulher de verdade tem celulite e estria mesmo e um pouco mais de carne, o resto só é bonito posando nua na Sexy. Quem quer encostar numa tábua de academia?
Poucos minutos ela pede ao namorado: - Ei querido, passa no mercado, por favor. Pode trazer 2 barras de chocolate, 2 litros de refrigerante, 1 picanha bem gorda e farofa pronta. Amanhã começo a dieta pra me tornar uma mulher de verdade.
A explicação está em dissolver qualquer gordurinha extra e mandar para as cucuias qualquer resquício de celulite, aquelas malditas marquinhas odiadas pelo universo feminino e que insistem em aparecer.
Além do programa fitness também incorpora alimentação super saudável, rica em fibras, proteínas e zero gordura. Chocolate nem pensar, afinal, só faltam 20 dias para a viagem.
Para ter a certeza de que não fará feio entre a turma, a moça resolve investir em tratamentos estéticos. Algumas sessões de velashape, 3 para falar a verdade, com um custo de R$350,00 por sessão.
Aperta o bolso, o estomago, a coxa dói, mas tudo é uma questão de saúde, autoestima e de namorado novo. Embora o pouco tempo, a intensidade já mostra resultados satisfatórios.
A turma é ótima e em poucos minutos já está enturmada entre as “namoradas do grupo”, todas em volta da piscina.
Eles, ali bem próximos, na churrasqueira. O papo nesta roda é mulher e alguns sussurram baixinho suas opiniões, com medo da represália feminina. Eis que numa questão todos concordaram unanimemente e foi quando um deles disse: - Mulher de verdade tem celulite e estria mesmo e um pouco mais de carne, o resto só é bonito posando nua na Sexy. Quem quer encostar numa tábua de academia?
Poucos minutos ela pede ao namorado: - Ei querido, passa no mercado, por favor. Pode trazer 2 barras de chocolate, 2 litros de refrigerante, 1 picanha bem gorda e farofa pronta. Amanhã começo a dieta pra me tornar uma mulher de verdade.
terça-feira, 4 de maio de 2010
VOCÊ TEM SEDE DE QUE?
Emoção. Pronto, descobri! O que falta na minha vida é emoção e nada mais, além disso.
Não falta juízo, não falta amor, nem amigos, tão pouco inimigos. Dinheiro, saúde e família estão em paz.
Se emoção é o que falta, mistura com absolut, vinho, um red ou beba em doses homeopáticas.
Então está decidido, sempre que der vontade, vou tomar alguns goles de emoção por ai! Viver a fantasia de não ser quem eu sou, ou apenas ser quem eu era...Figurante, cenário, figurino... ok!
Produção feita na hora, a favor da criatividade. Roteiro? Eu monto, só pra ter o que rasgar e reinventar, se der monotonia.
Agora fica a dúvida: Será possível viver sem passado ou futuro?
Por dois dias sigo o descompasso da embriaguez da emoção. Tomo a primeira dose na sexta-feira e dizem que só desperto na segunda. Não! Não é um tipo de droga. Trata-se de vontades repentinas, sentimentos vorazes, dúvidas, novidade, resgate, curiosidade...
A composição é complexa: 25 ml de serotonina, com 55ml de adrenalina e outros químicos indefiníveis. Não encontrei na farmácia. Passei pela sala de embarque e fui buscar.
...
Acorda! Acorda! O avião pousou! Coloca os óculos e disfarça o pensamento longe. O efeito acabou, assim como encanto da cinderela a meia noite. Detalhe, com fuso nada romântico, entre 5h e 8h da manhã. É imprescindível despertar. Controla o sono com altas doses de cafeína e beba água, muita água. Pega o notebook, entra no carro e corre. Lá vem mais uma segunda-feira sem emoção.
Por Paula Tubino
terça-feira, 20 de abril de 2010
ESTE ARMÁRIO ME PERTENCE
Preciso de espaço. São 389 blusas e não gosto de nenhuma. Viro, reviro acho coisas que nem sabia que tinha. Descubro roupas ainda com a etiqueta e sinto falta das que usei esta semana. Estão na lavanderia.
Separo uma pilha de peças. Aos poucos, vou acomodando todo o resto nos seus devidos lugares. Por cores, lógico. Tem dia que eu acordo lilás, muitos branco, outros tantos preto e nos dias mais excêntrica, colorida.
Olho para as roupas, que em breve serão de outra pessoa e começo a reavaliar sua saída definitiva do meu armário. Algumas voltam, assim como a moda. Mentalmente justifico cada retorno ao seu lugar de origem. Resolvo que só vou finalizar esta arrumação no outro dia pela manhã, agora está na hora de dormir.
O despertador toca. Espreguiço, espreguiço de novo e vou direto pro banho. Agora, mais acordada, enrolada na toalha e em busca de uma roupa, olho a pilha e visto algo do armário. Todas aquelas peças voltam ao seu devido lugar de uma só vez.
Sem justificativas, sem explicação e sem a menor organização metódica de cores, elas voltam a ser minhas. Eu já estava com saudade!
Separo uma pilha de peças. Aos poucos, vou acomodando todo o resto nos seus devidos lugares. Por cores, lógico. Tem dia que eu acordo lilás, muitos branco, outros tantos preto e nos dias mais excêntrica, colorida.
Olho para as roupas, que em breve serão de outra pessoa e começo a reavaliar sua saída definitiva do meu armário. Algumas voltam, assim como a moda. Mentalmente justifico cada retorno ao seu lugar de origem. Resolvo que só vou finalizar esta arrumação no outro dia pela manhã, agora está na hora de dormir.
O despertador toca. Espreguiço, espreguiço de novo e vou direto pro banho. Agora, mais acordada, enrolada na toalha e em busca de uma roupa, olho a pilha e visto algo do armário. Todas aquelas peças voltam ao seu devido lugar de uma só vez.
Sem justificativas, sem explicação e sem a menor organização metódica de cores, elas voltam a ser minhas. Eu já estava com saudade!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
COTAS RACIAIS ESTIMULAM O PRECONCEITO
Por Paula Tubino
O tema é polêmico, basta falar sobre o sistema de cotas raciais para se ouvir os mais divergentes pronunciamentos, até mesmo entre antropólogos e sociólogos. As opiniões ficam divididas entre educadores e a população em geral, até porque, é desta multi etnia que o Brasil é composto .
A questão de destinar vagas exclusivas nas universidades para negros, índios e alunos egressos de escolas públicas gera polêmica e angaria argumentos. Há quem diga que esta é uma forma de reparar as diferenças e diminuir as desigualdades, outros tantos apresentam argumentos contrários, de que a medida só reafirma o preconceito racial.
Particularmente concordo com este segundo grupo, acredito que a prerrogativa das cotas divide a sociedade por raças e gera preconceito entre pessoas, que deveriam ser julgadas pelos seus méritos e não pela sua etnia. O Brasil é um país miscigenado, como avaliar quem pertence ou não a determinado grupo racial? Ora, todos nós carregamos esta “mistura étnica” e as cotas raciais, ou o privilégio a alunos egressos de escolas públicas, só pratica um movimento separatista, extremamente excludente, confundindo o preceito de igualdade e dignidade.
Acredito ainda, que o sentimento de inferioridade incorpora estes jovens, que chegam as Universidades dentro de uma ideologia - de cotistas - e não de igualdade como introduz a Constituição Federal, no artigo 19. III: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”.
Seguindo esta premissa o sistema de cotas é inconstitucional e, ao que se propõe - a inclusão social - passa longe. Este segundo item só será possível com um ensino básico de qualidade, garantindo as mesmas oportunidades a todos. As cotas chegam como um paliativo a um dos grandes problemas da educação no Brasil, a base curricular, que é deficitária na rede pública e, o pouco aproveitamento desses alunos, que muitas vezes são de família de baixa renda e priorizam o trabalho para garantir a sobrevivência.
Em suma, o que define quem entra ou não numa Instituição de Ensino Superior é a qualidade de ensino durante todo o seu histórico escolar e não a sua etnia. Alunos pouco preparados chegam e saem das universidades sem a base profissional necessária, porque os quatro ou cinco anos de graduação não dão conta de reparar as deficiências dos 12 anos de estudos anteriores. Se as diretrizes da educação não forem repensadas pouco poderá ser feito e, a ideia de incentivar o estudo através das cotas, isso é balela.
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