quinta-feira, 26 de agosto de 2010

VIAJAR É PRECISO

Por Paula Tubino

Nem preciso ir muito longe e pouco importa o destino. Pegando a estrada e passando 200 km já tô empolgada. Gravo cd, dirijo cantando, ensaio de co-piloto dançando, tento o vento, volto pro ar condicionado, levo suquinho e água e negocio quem fala e quem escuta, poucos são os momentos silenciosos, até porque eu sou parceira, não durmo nadinha durante a viagem. Se o destino inclui passar pela sala de embarque prefiro um livro como companheiro de viagem. Não enjôo, não tenho medo e torço muito para, caso seja o meu momento de deixar o universo, que seja na volta. Ahh, por favor, que pelo menos eu tenha o mérito de deixar saudade após gastar - a voz, o solado do sapato novo, alguns trocados – aproveitar e cumprir a expectativa da pré viagem, ai também já usei as roupas da mala e guardo em segredo para sempre tudo o que aconteceu. Mas melhor ainda é saber que mês quem vem tem mais. Das duas uma, ou estou viajando ou estou programando a próxima.

Bem, em tempos de mulher fruta, prefiro ser a mulher Ponte Aérea, sugestão de apelido carinhoso de uma amiga, que fica impressionada com a quantidade de viagens que tenho feito. Que assim continue. AMÉM!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

RELATOS E RETRATOS PÓS FACULDADE

Por Paula Tubino

Nem parece, mas saímos de lá há mais de três anos. E eu nem imaginava que um dia aquela ralação como estagiária e assistente de comunicação contaria para a experiência de hoje. Ao todo sete anos trabalhando com comunicação. Comunicação é arte é vocação, mas é qualificação e preparo também. Quem viu  as fotos do primeiro semestre, aula de filosofia, com sarau na Praça Castro Alves, todos juntos, nem imaginava o que estava por vir. A nossa turminha da faculdade não era nada unida. Pelo contrário, em função de uma professora maluquete, que pregava conceitos loucos e teorias inventadas, houve um racha. O grupo a favor e o grupo contra. O meu era do contra, acho que eu sempre fui um pouco do contra e o subversivo me atrai. Isso rendeu alguns bate bocas com a tal maluquete, que tempos depois foi vista vendendo biscuit numa lojinha de bairro. Então era o lado B e o lado A. Na verdade esta separação era um tanto quanto intrínseca, a ponderar pelas ideologias e perspectivas de cada um ali. Não era preciso dizer que não haveria uma amizade eterna entre todos e quando saio do ontem e olho no hoje, vejo como ficou a vida de cada um e tamanha a ponte que nos separa. Não é uma questão de preconceito, reconheço o esforço de muitos em estar ali por tênues quatro anos, mas é discrepante as diferenças. Só pra lembrar, teve gente que escolheu um pagode para entrar a colação de grau e literalmente “recebeu a galinha pulando” creeeedo! Fiquei sabendo que este Ser trabalha como tripulante de cruzeiros marítimos, vulgo “garçom da classe média”. Enfim, quando olho para a minha turma, o lado B, sinto um orgulho danado do rumo que cada um deu a sua vida e carreira, mesmo que um pouco enviesado, é vocação. Se jornalismo não tava dando dinheiro e surgiu a oportunidade em produção cultural, está lá ela, que arrasa no trabalho e comanda as equipes até durante carnaval em Salvador, enquanto todos se divertem. Tem as minhas coleguinhas de assessoria, trabalhando em empresas e órgão respeitados, aquelas que eu avisei que o caminho era a reportagem televisiva estão chegando lá, em um veiculo impresso importante, os que optaram pela produção estão bem, tem as que estavam engatinhando e começam a dar passos mais fortes este ano, associadas a nomes conhecidos no mercado e angariando seu lugar ao sol, agora sim, por competência e amadurecimento profissional. Do lado A, não sei bem o que aconteceu com todos, mas soube que alguns buscam a vocação até hoje, outros estão num curso de estética e algumas casaram. É, esta última é a profissão que exige menor nível de instrução, o mercado não está totalmente escasso e para entrar não precisa exatamente de competência.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CÂMERA INDISCRETA

Por Paula Tubino

Relógio não havia. O sol na janela do longo corredor do hotel informava que já passava das 5 horas da manhã. O traje não era algo apropriado para o café, tão pouco para circular por aquela área coletiva. Ela vestia uma camisola preta, com renda e transparência. Seguiu no rumo da escada de incêndio, desceu alguns lances de escada, subiu outros, bateu em alguns apartamentos. Sua vã consciência parecia desacordada. Desceu até a recepção e pediu que lhe informassem o numero do seu quarto. Não portava chaves, nem identificação, sequer a mínima dosagem de juízo. Bateu a porta que não respondeu. Com a ajuda da recepcionista, adentrou seu quarto. Empurrou a pedra que tomava conta de toda a cama e seguiu o sono merecido. Poderia ser apenas um sonho, se não houvesse o registro do circuito interno do hotel...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E o nariz de palhaço vai para... o Eleitor

Parte 1

Em um país em que a imprensa da o mesmo destaque a morte do único Nobel de língua Portuguesa e a mocinha semi-letrada que agora é “escritora”, após escândalo em Universidade, não poderia deixar de ter Tiririca concorrendo à câmara e elas, que estão na moda, às “mulheres frutas”. O que sempre tive como vulgar (exageros – de bumbum, seios, pernas) ganha nome de pomar e peita as urnas. Li por ai que a Dona Pêra intitula-se Atora e diretora de espetáculos públicos. Não, eu não errei o feminino de ator e outra, quando o assunto é grau de instrução, ela descreve suas titularidades absolutas: lê e escreve! Aos 24 anos, quer ser deputada federal por SP quando crescer, mas como o quadril ganhou repercussão nacional, acredita que possa entrar este ano mesmo. Ao seu lado, a parceira Dona Melão. Mais modesta, peita a candidatura para deputada estadual. Tem superior incompleto, porem ficou confusa quanto a sua profissão e limitou-se a escrever Outros. Não ficam muito atrás os ex- jogadores de futebol, que aparecem como fortíssimo candidatos Federais. Boxeadores e comediantes também incorporam a lista, o que seria uma eterna piada, caso não fosse verdade. Política nesse país virou piada e quem fica de palhaço no picadeiro é ele, o eleitor.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

HOMEM MAIS NOVO (SÓ AS VEZES)

Se o que você busca é um “up” na autoestima esta é uma excelente opção. Sem contra indicações, mas esteja preparada para se submeter a um monólogo em excelente companhia. Sim, ele não se contrapõe ao que você diz, não é competitivo, nem fala sobre grandes viagens, as culturas ocultas de cada país e a gastronomia peculiar de cada região. Se você citar economia e política terá olhos brilhante e bem atentos a cada palavra. É que ele admira a forma como você coloca cada argumento e, escuta suas experiências como ninguém. Ele te acha incrível, nunca conheceu uma mulher assim e é totalmente atraído pela sua inteligência, pouco valorizada por outros. Ali, naquele exato momento, você não é mais uma, é A MULHER. O melhor de tudo: não tem os medos e traumas dos mais velhos, está começando a viver, acha tudo lindo e acredita em todas as mentiras que você quiser contar. Na verdade ele que é lindo. A pele tem uma textura diferente, veste um jeans super estiloso, com uma camiseta meio amarrotada, mas isso é o de menos, sem contar que esta tudo no seu devido lugar e com acabamento singelo da academia. Barriga? Nadinha. O que também serve para designar seus recursos financeiros para pagar a conta desse restaurante. Dividir é luxo, a real é que a conta é sua e ponto. Ta vendo? Quem manda sair com homem mais novo...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ahhh os meus amigos...

Tenho de todo tipo. Os do trabalho, que convivem nos melhores e piores dias; os que estão longe e provam que a distância é superável, pois se fazem presente a cada momento; os de infância que pouco contato tenho, muitas lembranças guardo e sempre que falo parece que foi ontem. Os de farra – desses todo mundo tem um punhado - é a relação movida a vodca ou qualquer outro destilado, presentes nos horários mais tardios e muito próximos a caixas de som. Também tem os amigos cools, culturetes, antenados e aqueles nem ai pra nada, que buscam a explicação para tudo na filosofia, antropologia, sociologia e tantas outras “ias”. Tem os amigos “pau pra toda hora”, aqueles que eu ligo quando fura o pneu, quando as lagrimas insistem em cair, nas noites em claro ou simplesmente pra almoçar num restaurante novo. São etnias, convicções, estilos, anseios, tudo tãaao diferente e ao mesmo tempo todos tão especiais.
São as minhas menininhas de antes, as de hoje, meus melhores amigos... é a família que não veio comigo, mas que escolhi para estar comigo. Amigos são amores sinceros, sem interesse, escolhidos por afinidade, energia, ou pelas diferenças e complementariedade.
Este post é dedicado a eles, que fazem das minhas noites mais divertidas e das minhas manhãs mais ensolaradas, muitas vezes pelo simples fato de saber que estão ali, perto ou longe, sempre presente de alguma forma e prontos para partilhar dos mais variados momentos.
A vocês, Feliz dia do amigo!!

Por Paula Tubino

quinta-feira, 15 de julho de 2010

MOMENTOS, FASES, CRISES

Quando se passa da casa dos 20 e poucos para os 20 e muitos algumas coisas mudam. Você percebe que já perdeu um homem maravilhoso por bobagens, que devia ter lido mais durante a faculdade, que namorou pessoas que não tinham nada a ver com você, que se queimou com uma pessoa especial por isso (só se descobre isso beem depois. Descobre que as noites de angustia, em claro, o choro, as paixões fervilhantes, as frases de sempre, as madrugadas conversando no carro, sem a preocupação com os compromissos do outro dia, a saudade que dói... tuuuudo passa e começa a ser muito mais simples e racional. É mocinha, você cresceu, amadureceu – aos trancos e barrancos e ... endureceu... Euuu? Dizem por ai que sim, mas o esforço para mudar esse conceito é grande, tanto com os outros como comigo.
Ahh, então amadurecer é um porre viu?! E porre de vinho vagabundo, que da uma super ressaca no outro dia (coisa de adolescente). Saudade tenho dessa época... Era capaz de me apaixonar ate doer, morria de amores, ai passava e morria de raiva e ai passava e quase morria com tanta balada e assim ia levando.
Poucas coisas me desapontavam, as expectativas eram bem menores e possivelmente atendidas. Foi assim que emendei um namoro no outro. Até o último. O problema mesmo é o ultimo, a gente sempre gosta mais do ultimo. É sempre mais importante, presente e quase-perfeito, não fossem algumas 1.567 coisas que poderia melhorar...Como não melhorou, dançou e como não veio correndo pedir desculpas, fico aqui achando que ele era a ultima coca-cola do deserto.
Lógico que eu nao vou ligar. E também não vou atender. Não na primeira ligação e também não vou amolecer. Não com as frases prontas de sempre. E também não vou aceitar o convite para jantar. Ao menos não numa segunda-feira qualquer...

Por Paula Tubino