Por Paula Tubino
Na boca o gosto amargo de um café sem açúcar. Os olhos percebem a manhã sem sol, sem brilho...sem você. Tem cara de vôo que passa por cima da Guanabara e pelo Pão de Açúcar e dá meia volta.Vontade de não acordar, de rasgar o calendário, de contar pra atendente da farmácia que você foi pra sempre. É suportável, porque é vaso quebrado, nó na garganta e nada mais que isso. Resgato a imagem da fala engasgada, o escrito de ontem...
“O meu orgulho detesta admitir que você é uma pessoa especial, mesmo que eu não consiga definir o porque ao meu analista, com milhões de defeitos irritantes e uma fraqueza que me faz te detestar por instantes. Bem longe da perfeição, assim como eu, mas responsável por um grande aprendizado, o da verdade. Não que eu não seja sincera, mas a minha verdade resgatei com você, quando decidi viver em “Queda Livre”, perder o controle da situação e acreditar que vale muito mais assim. Descobri que eu não sou de ferro, como todos pensavam e eu concordava, precisei de ajuda, desisti de encontrar explicações tão racionais para tudo. "
Desisti de você, das suas inseguranças, de ser preterida e de ter a nítida certeza que, lá na frente, em algum momento, você vai se questionar: E se eu estivesse com ela?!
Coragem! Isso eu aprendi no berço e felicidade eu carrego comigo, independente de qualquer pessoa ou circunstância. Tomara que você não se arrependa.... Descarto o que sobrou de voce na minha vida, o telefone... Por longos 40 minutos afundo o esquisito dia de hoje na banheira, misturo os sais, essencias e, pronto. Página virada. Capítulo Novo, viva mais uma sexta-feira. Lembro o mantra que entoa durante a meditação "eu sou liberdade" e comemoro o melhor sol de todos, o do dia seguinte.
Relatos sobre uma visão crítica, útil, as vezes fútil e um pouco sarcástica de quem não deixa o mundo passar despercebido. A idéia é repercutir as falas, que de alguma forma me deixam inquieta, sob uma forma irônica, divertida e por que não, até mesmo fútil de um mundo vivenciado com os mais diversos personagens e sob uma visão muito pessoal.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
LULUS
Por Paula Tubino
Era um desses encontros em que os namorados e maridos não participam. Não estão presentes porque vira e mexe entram na pauta da conversa. Dia que eles também tem para encontrar amigos, o tal poker, futebol ou sei lá o que. Falávamos sobre relações duradouras e as mudanças acarretadas com este convívio intenso, cada uma com a sua contribuição memorável. Há quem diga que os ganhos superam as perdas daquele amor que brilha os olhos, mas a conclusão é que as perdas são grandes o bastante para que seja realmente repensada a ideia de transformar duas casas em uma. A intimidade e o convívio afastam situações como a citada em uma das crônica da Martha Medeiros, de “um simples beijo em pé na sala”. Sim, um beijo de verdade e sem maiores pretensões, dessas coisas gostosas da vida, que a gente faz sem pensar, no inicio de qualquer relação e esquece depois de um tempo. A mesa ao lado, repleta de homens trajando terno e, com grossas alianças na mão esquerda, olha veemente para a mesa de mulheres reunidas. A intenção pode até não significar uma traição e sim um alimento ao ego, mas é incomodo pensar que um dia podemos ser a mulher em casa e eles os nossos maridos que olham para outras. Será que eles perderam a vontade do beijo em pé? Mesmo que novela não seja lá nossa principal distração, bem longe disso, vem a fatídica frase, que corou uma destas personagens da vida nada real, lembrada por uma de nós e que virou reflexão após os olhares sinuosos de alguns comprometidos do lado: Se beijam em pé ou não, definitamente não saberemos, se são realmente felizes muito menos, mas a atriz citou, em determinado momento da trama, que “É melhor ser desejada que casada”. Todas concordamos em alto e bom tom.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
O CARA
Por Paula Tubino
Ele é exímio nos cuidados comigo. Ainda cuida do meu carro como ninguém. Resolve tudo o que eu acho chato. Considera meus defeitos e sobrepõe minhas qualidades. É lindo, magro, estiloso e o melhor palhaço que alguém pode ter pela manhã. Se escuta a voz trêmula do outro lado da linha pega uma avião e vem me ver, mesmo morrendo de medo dos ares e das minhas reações. Sim, esse cara existe e por ele fui pedida em casamento no transito, no restaurante, em casa, por mensagem, por telefone e mais algumas vezes olho no olho. Ficou com chave do meu carro e da minha casa algumas vezes e aproveitou pra encher meu quarto de flores e cartõezinhos. Ele é o máximo! Não fuma, bebe socialmente, sem filhos, não faz questão de sair sempre sozinho, tem fidelidade como uma premissa básica, meus amigos o adoram e, simplesmente desdobra-se para ser perfeito. Eu? Talvez não queira alguém tão perfeito assim. Procuro os defeitos e não acho, assim como procuro a minha admiração por ele: ZERO.
Recomendaria as amigas se não fosse meu ex, mas parafraseando Roberto Shinyashiki “Sem admiração não há solução”. Em uma semana ele pega o avião e volta a sua vidinha normal. Eu o levo ao aeroporto, beijo na despedida, abraço e aceno um tchau com ar blasé. Enquanto ligo o carro busco seu número na agenda do celular e pronto! Apaguei pra sempre da minha vida. Página virada e sem volta
Ele é exímio nos cuidados comigo. Ainda cuida do meu carro como ninguém. Resolve tudo o que eu acho chato. Considera meus defeitos e sobrepõe minhas qualidades. É lindo, magro, estiloso e o melhor palhaço que alguém pode ter pela manhã. Se escuta a voz trêmula do outro lado da linha pega uma avião e vem me ver, mesmo morrendo de medo dos ares e das minhas reações. Sim, esse cara existe e por ele fui pedida em casamento no transito, no restaurante, em casa, por mensagem, por telefone e mais algumas vezes olho no olho. Ficou com chave do meu carro e da minha casa algumas vezes e aproveitou pra encher meu quarto de flores e cartõezinhos. Ele é o máximo! Não fuma, bebe socialmente, sem filhos, não faz questão de sair sempre sozinho, tem fidelidade como uma premissa básica, meus amigos o adoram e, simplesmente desdobra-se para ser perfeito. Eu? Talvez não queira alguém tão perfeito assim. Procuro os defeitos e não acho, assim como procuro a minha admiração por ele: ZERO.
Recomendaria as amigas se não fosse meu ex, mas parafraseando Roberto Shinyashiki “Sem admiração não há solução”. Em uma semana ele pega o avião e volta a sua vidinha normal. Eu o levo ao aeroporto, beijo na despedida, abraço e aceno um tchau com ar blasé. Enquanto ligo o carro busco seu número na agenda do celular e pronto! Apaguei pra sempre da minha vida. Página virada e sem volta
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
MORRER É IMORAL
Por Paula Tubino
Eis que estou aqui, pronta para a Missa de dois anos de falecimento de uma pessoa muito querida, nem tão perfeita, mas alguém do bem que sem avisar-me antes foi embora desse mundo. Poxa tinha que cair ali naquela curva do asfalto? Tão pertinho? Tinha tanto orgulho do super piloto e do super-homem que era.
Triste e irritada com esta circunstancia chamada MORTE. Fico aqui pensando que, definitivamente, Morrer não é justo e a injustiça é com quem fica.Reflito e penso... E os planos? E se você combinou de passar na padaria? E o terno que está na lavanderia? Mas como assim? Já pagou um plano anual na academia e nem desfrutou dos benefícios. Marcou viagem, comprou roupa nova, agendou jantar e não vai comparecer porque simplesmente morreu. Sequer vai conhecer a Grécia, nem vai estar no casamento do seu melhor amigo, não vai desfrutar de férias na beira da praia e também não estará presente na reunião de segunda-feira, aquela com um cliente em potencial.
INJUSTIÇA. Ficam os planos, fica a saudade, fica agenda lotada de compromissos, as promessas de uma vida mais saudável, o carro, a fazenda, os sapatos, a coleção de óculos... Ficam as fotos.
Ele ligou, disse que estava chegando, marcou de sair pra comer uma pizza. Era sábado e ninguém deve morrer num sábado, sem avisar antes e deixar as pessoas esperando. Isso é mais que falta de educação é um descaso da vida. E agora? Quem puxa minha orelha, quem busca minha prima na escola, quem assume a obra do portão, quem faz companhia para a minha tia no domingo a tarde...
Morrer é imoral porque eu nem consegui dizer o quanto você é especial e tamanha é a saudade que sentimos. Não, eu não errei a concordância, você É para sempre, mesmo sei la onde. O seu astral era contagiante e justamente por isso não poderia trascrever qualquer "muro das lamentações" por estas linhas. Prefiro lembrar dos bons momentos que passamos ao seu lado e das melhores recordações. Queria dizer que você é insubstituível sim, mas mesmo assim a gente (amigos, família) ajuda a cuidar das suas fofas, fica tranquilo, mas vai sabendo que me deve essa e uma pizza no sabado ai no céu.
Mas olha, queria contar uma coisa que também só descobri depois que você se foi, os mortos viram pessoas maravilhosas e perfeitas. Aproveita seu titulo de perfeito e conta isso pra todo mundo ai no céu. Conta também que quando a gente se encontrar EU que vou puxar a sua orelha porque a pizza do sábado sem você nunca mais foi a mesma, mas tomara que demore porque se eu chegar ai sem avisar a minha mãe ela me mata.
***Essa crônica eu dedico ao Lydio, que nos deixou há curtos dois anos e ao meu querido avô, pessoas maravilhosas que compartilharam suas vidas conosco e que sumiram do mapa, assim, sem deixar nem o telefone do céu e o e-mail.
Eis que estou aqui, pronta para a Missa de dois anos de falecimento de uma pessoa muito querida, nem tão perfeita, mas alguém do bem que sem avisar-me antes foi embora desse mundo. Poxa tinha que cair ali naquela curva do asfalto? Tão pertinho? Tinha tanto orgulho do super piloto e do super-homem que era.
Triste e irritada com esta circunstancia chamada MORTE. Fico aqui pensando que, definitivamente, Morrer não é justo e a injustiça é com quem fica.Reflito e penso... E os planos? E se você combinou de passar na padaria? E o terno que está na lavanderia? Mas como assim? Já pagou um plano anual na academia e nem desfrutou dos benefícios. Marcou viagem, comprou roupa nova, agendou jantar e não vai comparecer porque simplesmente morreu. Sequer vai conhecer a Grécia, nem vai estar no casamento do seu melhor amigo, não vai desfrutar de férias na beira da praia e também não estará presente na reunião de segunda-feira, aquela com um cliente em potencial.
INJUSTIÇA. Ficam os planos, fica a saudade, fica agenda lotada de compromissos, as promessas de uma vida mais saudável, o carro, a fazenda, os sapatos, a coleção de óculos... Ficam as fotos.
Ele ligou, disse que estava chegando, marcou de sair pra comer uma pizza. Era sábado e ninguém deve morrer num sábado, sem avisar antes e deixar as pessoas esperando. Isso é mais que falta de educação é um descaso da vida. E agora? Quem puxa minha orelha, quem busca minha prima na escola, quem assume a obra do portão, quem faz companhia para a minha tia no domingo a tarde...
Morrer é imoral porque eu nem consegui dizer o quanto você é especial e tamanha é a saudade que sentimos. Não, eu não errei a concordância, você É para sempre, mesmo sei la onde. O seu astral era contagiante e justamente por isso não poderia trascrever qualquer "muro das lamentações" por estas linhas. Prefiro lembrar dos bons momentos que passamos ao seu lado e das melhores recordações. Queria dizer que você é insubstituível sim, mas mesmo assim a gente (amigos, família) ajuda a cuidar das suas fofas, fica tranquilo, mas vai sabendo que me deve essa e uma pizza no sabado ai no céu.
Mas olha, queria contar uma coisa que também só descobri depois que você se foi, os mortos viram pessoas maravilhosas e perfeitas. Aproveita seu titulo de perfeito e conta isso pra todo mundo ai no céu. Conta também que quando a gente se encontrar EU que vou puxar a sua orelha porque a pizza do sábado sem você nunca mais foi a mesma, mas tomara que demore porque se eu chegar ai sem avisar a minha mãe ela me mata.
***Essa crônica eu dedico ao Lydio, que nos deixou há curtos dois anos e ao meu querido avô, pessoas maravilhosas que compartilharam suas vidas conosco e que sumiram do mapa, assim, sem deixar nem o telefone do céu e o e-mail.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
ACHADO
Achado de hoje, frases que falam por mim (trecho do filme O Divã):
"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia"
"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia"
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Eu queria...
Pintar o cabelo de laranja, colocar dreadlocks no cabelo loiro, pintar a unha de azul, tocar bateria, ter uma banda de rock, surfar de long bord e não ser assim... "tão certinha, tão patricinha, tão já passei dessa fase," tão com tantas coisas pra fazer e ser tão “porra-louca” quanto eu acho que merecia.
Ter mais tempo que o meu relógio, ser filha de socialite, fazer trabalho social e marketing ambiental, ah como eu queria...militar contra a política do país, ter mais altura, menos frescura, todos os amigos por perto, guardar pessoas e momentos em caixinhas, pensar mais antes de agir, ser mais sociável, menos autoritária...
Queria comprar bebês na farmácia e devolve-los após os 5 anos de idade, testar antes para saber se eu quero, pedir a garantia do ex namorado com defeito, juntar as qualidades de um e de outro, bater tudo no liquidificador e peneirar todos os defeitos. Queria o que é casado solteiro e as viagens por teletransportador.
Queria morar em Brasília e ter Salvador como quintal de casa, Rio de janeiro como vizinha e São Paulo como interior. Acordar com sol todos os dias e pedir chuva na hora de dormir. Queria mesmo é a tal lampada do Alladin....
Por Paula Tubino
Ter mais tempo que o meu relógio, ser filha de socialite, fazer trabalho social e marketing ambiental, ah como eu queria...militar contra a política do país, ter mais altura, menos frescura, todos os amigos por perto, guardar pessoas e momentos em caixinhas, pensar mais antes de agir, ser mais sociável, menos autoritária...
Queria comprar bebês na farmácia e devolve-los após os 5 anos de idade, testar antes para saber se eu quero, pedir a garantia do ex namorado com defeito, juntar as qualidades de um e de outro, bater tudo no liquidificador e peneirar todos os defeitos. Queria o que é casado solteiro e as viagens por teletransportador.
Queria morar em Brasília e ter Salvador como quintal de casa, Rio de janeiro como vizinha e São Paulo como interior. Acordar com sol todos os dias e pedir chuva na hora de dormir. Queria mesmo é a tal lampada do Alladin....
Por Paula Tubino
terça-feira, 14 de setembro de 2010
A MORTE
A Fortaleza procura a armadura e não encontra. Despiu-se desta peça. Perdeu os medos e a racionalidade. Agora sente as conseqüências da doação mais sincera dos últimos anos. Ainda vê os sorrisos mais lindos, o óculos embaçado, o beijo que ensurdece, as frases soltas, a lágrima que caiu, o cd que não ouviu e a despedida que não houve...soma de momentos bons, como outros tantos, mas estes sem a dita armadura.
A Fortaleza sente a fraqueza que vai além do que pode suportar. A ferida fica em carne viva cada vez que abre o assunto. O analista puxa e não consegue estancar em 50 minutos de sessão o sangramento da falta de proteção. Ela entra no carro e vive um momento só dela. Pensa, corre, pensa, chora, sangra.
Assim, sem armadura e desprotegida dizem que ela fica incrivelmente mais bela, ela acredita. Usa as armas infalíveis. Veste a roupa mais linda, faz a maquiagem mais caprichada e sai. É seguida por olhares estonteantes, sente o brilho aceso novamente e diz não a quem se aproxima. Com seu lado mais antipático e sublime procura o que não quer ver e sente medo dessa aproximação.
De repente a dona das soluções, aquela a quem todos recorrem , estava vulnerável e como sempre, não sabe pedir ajuda. Recorre a academia, aos agitos, a agenda. O paliativo funciona bem por horas, incha o ego e a auto estima transborda, mas não é remédio, nem antídoto. Busca o alinhamento dos chakras, a terapia de florais e nas furadinhas da acupuntura a solução que não encontra na farmácia nem em lugar algum. Enquanto espera o atendimento ela escreve num pedaço de papel:
“Você morre um pouquinho todo dia. Leva um pouco do meu melhor junto com você, dilacera cada vez que algo remete a você ou que alguém abre a ferida. Dói saber que você perdeu uma grande história e dói muito mais saber que eu deixei de protagonizar nela. Dói ainda mais saber que doeu pra você. É a perda, é a morte e eu não sei bem lidar com isso, cheguei nesse mundo pra ganhar e sei que vou vencer é que a dor da morte é muito viceral pra quem perdeu a lata de proteção”.
Mesmo com ápices e nuances totalmente dicotômicas ela segue a sua busca incessante pela lataria velha de aço. A vestimenta está entre os destroços do caminho. Recolhe uns pedaços aqui, outros acolá. Compra cola e questiona se volta mesmo a ser a Fortaleza Real ou se vive melhor em carne e osso.
Por Paula Tubino
A Fortaleza sente a fraqueza que vai além do que pode suportar. A ferida fica em carne viva cada vez que abre o assunto. O analista puxa e não consegue estancar em 50 minutos de sessão o sangramento da falta de proteção. Ela entra no carro e vive um momento só dela. Pensa, corre, pensa, chora, sangra.
Assim, sem armadura e desprotegida dizem que ela fica incrivelmente mais bela, ela acredita. Usa as armas infalíveis. Veste a roupa mais linda, faz a maquiagem mais caprichada e sai. É seguida por olhares estonteantes, sente o brilho aceso novamente e diz não a quem se aproxima. Com seu lado mais antipático e sublime procura o que não quer ver e sente medo dessa aproximação.
De repente a dona das soluções, aquela a quem todos recorrem , estava vulnerável e como sempre, não sabe pedir ajuda. Recorre a academia, aos agitos, a agenda. O paliativo funciona bem por horas, incha o ego e a auto estima transborda, mas não é remédio, nem antídoto. Busca o alinhamento dos chakras, a terapia de florais e nas furadinhas da acupuntura a solução que não encontra na farmácia nem em lugar algum. Enquanto espera o atendimento ela escreve num pedaço de papel:
“Você morre um pouquinho todo dia. Leva um pouco do meu melhor junto com você, dilacera cada vez que algo remete a você ou que alguém abre a ferida. Dói saber que você perdeu uma grande história e dói muito mais saber que eu deixei de protagonizar nela. Dói ainda mais saber que doeu pra você. É a perda, é a morte e eu não sei bem lidar com isso, cheguei nesse mundo pra ganhar e sei que vou vencer é que a dor da morte é muito viceral pra quem perdeu a lata de proteção”.
Mesmo com ápices e nuances totalmente dicotômicas ela segue a sua busca incessante pela lataria velha de aço. A vestimenta está entre os destroços do caminho. Recolhe uns pedaços aqui, outros acolá. Compra cola e questiona se volta mesmo a ser a Fortaleza Real ou se vive melhor em carne e osso.
Por Paula Tubino
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