quarta-feira, 2 de novembro de 2011

JANELA

- Uma passagem para Paris, por favor! Passando por Roma e Amsterdam. Sem data de volta. Não, eu não tenho fluência nos idiomas, mas eu entendo e me comunico, de uma forma ou de outra. Não preciso falar, quero uma viagem muda, sozinha, sem roteiro, sem lembranças, sem saudade, sem ninguém...Quero descobrir lugares novos, ver gente diferente não quero falar sobre a minha vida. Pode ser?
Eu quero só os dias, alguns vinhos, uma boa cama e um excelente livro, isso basta! - Mala? Não, deixo elas aqui, com todas as frustrações, duvidas e expectativas. Algumas peças numa mochila basta. quero o desapego, a ausência de rotina, quero deixar tudo aqui. Quando eu voltar tudo estará exatamente no mesmo lugar, ou não, mas aquela que atravessou o portão de embarque não existirá mais, assim como a de ontem não é a mesma de hoje. Sim, ela nasce e morre todo dia. O mais importante: Ela renasce melhor a cada dia.  - Pode confirmar o voo. Janela, por favor!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

EM CORES

Por Paula Tubino
Certa vez eu ouvi de uma pessoa que eu passo coisas boas e que a minha forma de ser/viver a vida é cativante. "Leve", o melhor adjetivo que já ouvi. Analisei cada informação contida na tal palavra e, considerando tudo o que tenho visto por ai, é diferencial mesmo. As pessoas carregam nas suas bolsas/mochilas diárias todas as suas frustrações, medos, inseguranças, reclamações, insultos... poucos querendo somar alegrias, a maioria reclamando, vivendo uma vida chata. São brigas por espaço, por tempo, por dinheiro...por nada.  
Leveza é diferencial mesmo. Sinônimo de risos, otimismo, bom humor,  acho que é uma forma  branda de encarar o mundo e de enxergar as coisas sempre com um pouco de cor, de preferência multi coloridas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TERREMOTO

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Por Paula Tubino                                                  Capítulo 01

Já li sobre alguns. Os depoimentos dos sobreviventes, a imagem de quem viu tudo desabar, os traumas de quem fica, a dor por quem vai, a imagem do que era e do que sobrou... A falta, o vazio, a subtração. Foi assim que me senti por dias, juntando peças, cacos, ego, identidade, buscando explicações, convivendo com a ausência, aprendendo a acordar sem você. Eu bati a porta pela última vez. Não questionei, não senti sua pulsação,  nem vi olhos mareados, apenas tomei a decisão mais acertada diante dos acontecimentos. Era um domingo qualquer, com  todos os deleites que se pode ter de um namoro ameno, tranquilo, feliz e cheio de afinidades. Sem brigas, sem estrondos, sem nada. Programávamos o próximo final de semana, conversamos sobre as atitudes dos outros, curtimos a preguiça pós almoço, falamos sobre viagens...Era pra ser só mais um domingo qualquer, ate que você achei motivos suficientes para bater a porta da frente carregando minhas coisas e toda a minha ira. Entrei no carro e não sei bem como ele chegou em casa, nem como consegui fazer de conta que você  não existia a partir daqueles minutos. Vi nossa historia passar em segundos, tudo desmoronando e em meio aos destroços, eu levantava  naquela segunda-feira, afim de verificar a frequência cardíaca, os movimentos, a vida que seguia atrás da janela do meu quarto. Sem você, sem o “nós”, sem o biquíni pendurado nos seu banheiro, sem os planos, sem nada... Acordei com a pior sensação de todas, a da perda.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ÚLTIMO PEDIDO

Por Tati Bernardi

Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: Minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você.

terça-feira, 10 de maio de 2011

lição

Amiga você aprendeu a lição? - Diz ela indignada!
Eu?? Não, não aprendi. Lutei pra entrar, relutei o dobro para sair, sangrei por dentro e senti o mais feliz vazio de todos os tempos, o de não ter absolutamente ninguém na lembrança, na cama, no dia, no coração e em canto algum. Vivi o mais surpreendente egocentrismo e tomei a vacina mais potente contra qualquer interferência mundana, tudo em prol da  cura. Curei e comemorei cada segundo só meu. Cativei a indiferença e o mais comovente dó, pena mesmo e a gratidão de terem tirado alguém assim, tão "não meu" de mim.  Disse não ao anterior e segui dizendo por inúmeras vezes.

Ai vem ele, cheio de encanto, graça, gentilezas e sutilezas, nos mínimos detalhes... vem aos poucos, sem pressa, sem sufoco, sem relógio, sem promessas, sem mentiras, sem o estereótipo e aporta ali, na minha vida que antes era tão só minha. E ai eu escuto Marisa Monte e lembro dele e escuto David Guetta e também lembro e não escuto nada e a sua voz vem  e falo nele pra terapeuta e ele liga. Sei la quanto tempo vai durar, se quanto maior a altura maior o tombo, se quero ou se não quero, mas vou deixar a vida se encarregar do desfecho e vou sentir de novo o que de bom tiver que existir....

Novembro de 2010

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PONTO SEM FIM

Você decide que não quer mais, não suporta o que aconteceu, o fardo é pesado demais. Diga o que quiser, argumente como lhe convir, não há nada que consiga apagar as imagens que "abalaram o Castelo". Conversa concluída. parece que tudo volta ao normal, mas o inconsciente não para e volta a lembrar e argumenta falas, explicações, respostas e não conclui nada. O dia de martírio chega ao fim, com a decisão de que é preciso falar, doa a quem doer. Discurso pronto, frases montadas, roteiro finalizado. Entra no carro e segue pensando sobre todas as mudanças a partir da decisão tomada. Chega, demora a falar, perde os argumentos, as falas, o roteiro da um nó na cabeça e tudo vira apenas algumas palavras soltas. A emoção toma conta da razão e você percebe que não consegue concluir bulhufas de nada e nem dar um ponto final e nem terminar a frase e mesmo sem jeito, querendo finalizar a conversa, suspira e sai um "Então é isso". Espera ter forças para levantar sem que a lagrima corra antes de chegar ao carro, mas de súbito, o abraço não esperado. E a lagrima cai, e não tem mais carro, nem caminho de volta, nem conversa. Volta tudo ao normal após uns carinhos, as promessas de sempre e as frases mais normais do mundo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

TENTE OUTRA VEZ


Por Paula Tubino

Pode ser, você que sabe, eu não sei, mais ou menos... Expressões sem vontade broxam o melhor do meu EU, o maior dos projetos, altera drasticamente o meu humor e os planos.

Não gosto de coisas mais ou menos, sentimentos mais ou menos e muuuito menos pessoas mais ou menos. Doa a quem doer, o simples e decisivo “Não” é melhor que a inércia do “pode ser”, ou a falta de sal do “você que sabe”. Eu não consigo reagir a gente estática, apenas retrair.

Realmente não sei me doar por coisas e pessoas que tem a indecisão e não a vontade. Vontade de fazer, de ver, de ir atrás, de sentir, de contar, surpreender, executar, pensar... Enfim, falta de intensidade, com pitadas de criatividade não dá pro meu EU, sou muito mais que isso...