quinta-feira, 27 de maio de 2010

UM DOCINHO (DE LIMÃO SEM AÇÚCAR)

É TPM mesmo, não tem como fugir. Dói quase tudo, dá vontade de ficar na cama e falta vontade de interagir com a raça humana. Quase poética a frase, mas só a frase porque falta paciência para qualquer coisa. Não raros os dias que vem uma vontade de chorar sabe-se lá de onde, pode ser pela morte da formiga, que carregava alimento para o formigueiro no inverno ou porque não acha a tal pulseira lilás que combina com o scarpin.



Bom humor? Só quando isso tudo passar. Os homens não entendem o que é usar uma roupa numa determinada semana e na semana seguinte ficar apertada com as mesmas peças. Isso é retenção de líquido, mais um sintoma caótico da TPM, além do rosto que parece de uma adolescente, com cravinhos irritantes e o cabelo que fica meio elétrico. Então estou dando choque! Melhor não encostar porque das duas uma, ou grito ou mordo. Quer arriscar??

Por Paula Tubino

quinta-feira, 20 de maio de 2010

MINHA BISAVÓ ACHARIA ESTE MUNDO MEIO ESQUISITO

Os meus amigos mais bonitos e mais sarados namoram com outros mais bonitos e mais sarados ainda. Aqui na agência o mocinho que senta ao meu lado, o mais novo integrante da equipe, envia por e-mail um curso de culinária.

No destinatário não está o meu e-mail, é para o designer que senta em outra baia. Por sinal, este segundo é quem prepara o café nosso de cada dia, na ausência da nossa secretária. Esta terceira pessoa, engraçadíssima, é quem prega algumas peças nos grandões.

Dizem que ela sai a caça de baratas mortas e, quando encontra, faz questão de deixar no toalete masculino. Por sinal, não raros são os  gritos que ecoam de lá e as risadas dela por perto.

Eu? Bom, eu e a mocinha do financeiro discutimos se é mais interessante a aula de boxe ou de Muay Thai, como luta ou arte marcial, como preferem designar essas lutas.

Enquanto isso torcemos para que eles assumam as caçarolas,  o café e a sobremesa, porque o mais próximo que chegamos da cozinha foi da bancada e da dispensa, para fazer a lista de compras.

Por Paula Tubino

terça-feira, 11 de maio de 2010

VAI ENTENDER...

Namorado novo, viagem para o sítio da família com os amigos. Ele avisa que biquíni é a peça fundamental da mala e ela intensifica a malhação. Quase chora no final da série em que levanta a perna com as caneleiras de 8 kg. Pula 1h sem parar em cima do jump, duas vezes por semana e resolve intensificar as aulas de spinning.

A explicação está em dissolver qualquer gordurinha extra e mandar para as cucuias qualquer resquício de celulite, aquelas malditas marquinhas odiadas pelo universo feminino e que insistem em aparecer.

Além do programa fitness também incorpora alimentação super saudável, rica em fibras, proteínas e zero gordura. Chocolate nem pensar, afinal, só faltam 20 dias para a viagem.

Para ter a certeza de que não fará feio entre a turma, a moça resolve investir em tratamentos estéticos. Algumas sessões de velashape, 3 para falar a verdade, com um custo de R$350,00 por sessão.

Aperta o bolso, o estomago, a coxa dói, mas tudo é uma questão de saúde, autoestima e de namorado novo. Embora o pouco tempo, a intensidade já mostra resultados satisfatórios.

A turma é ótima e em poucos minutos já está enturmada entre as “namoradas do grupo”, todas em volta da piscina.

Eles, ali bem próximos, na churrasqueira. O papo nesta roda é mulher e alguns sussurram baixinho suas opiniões, com medo da represália feminina. Eis que numa questão todos concordaram unanimemente e foi quando um deles disse: - Mulher de verdade tem celulite e estria mesmo e um pouco mais de carne, o resto só é bonito posando nua na Sexy. Quem quer encostar numa tábua de academia?

Poucos minutos ela pede ao namorado: - Ei querido, passa no mercado, por favor. Pode trazer 2 barras de chocolate, 2 litros de refrigerante, 1 picanha bem gorda e farofa pronta. Amanhã começo a dieta pra me tornar uma mulher de verdade.

terça-feira, 4 de maio de 2010

VOCÊ TEM SEDE DE QUE?

Emoção. Pronto, descobri! O que falta na minha vida é emoção e nada mais, além disso.

Não falta juízo, não falta amor, nem amigos, tão pouco inimigos. Dinheiro, saúde e família estão em paz.

Se emoção é o que falta, mistura com absolut, vinho, um red ou beba em doses homeopáticas.

Então está decidido, sempre que der vontade, vou tomar alguns goles de emoção por ai! Viver a fantasia de não ser quem eu sou, ou apenas ser quem eu era...Figurante, cenário, figurino... ok!

Produção feita na hora, a favor da criatividade. Roteiro? Eu monto, só pra ter o que rasgar e reinventar, se der monotonia.

Agora fica a dúvida: Será possível viver sem passado ou futuro?

Por dois dias sigo o descompasso da embriaguez da emoção. Tomo a primeira dose na sexta-feira e dizem que só desperto na segunda. Não! Não é um tipo de droga. Trata-se de vontades repentinas, sentimentos vorazes, dúvidas, novidade, resgate, curiosidade...

A composição é complexa: 25 ml de serotonina, com 55ml de adrenalina e outros químicos indefiníveis. Não encontrei na farmácia. Passei pela sala de embarque e fui buscar.

...

Acorda! Acorda! O avião pousou! Coloca os óculos e disfarça o pensamento longe. O efeito acabou, assim como encanto da cinderela a meia noite. Detalhe, com fuso nada romântico, entre 5h e 8h da manhã. É imprescindível despertar. Controla o sono com altas doses de cafeína e beba água, muita água. Pega o notebook, entra no carro e corre. Lá vem mais uma segunda-feira sem emoção.

Por Paula Tubino

terça-feira, 20 de abril de 2010

ESTE ARMÁRIO ME PERTENCE

Preciso de espaço. São 389 blusas e não gosto de nenhuma. Viro, reviro acho coisas que nem sabia que tinha. Descubro roupas ainda com a etiqueta e sinto falta das que usei esta semana. Estão na lavanderia.

Separo uma pilha de peças. Aos poucos, vou acomodando todo o resto nos seus devidos lugares. Por cores, lógico. Tem dia que eu acordo lilás, muitos branco, outros tantos preto e nos dias mais excêntrica, colorida.

Olho para as roupas, que em breve serão de outra pessoa e começo a reavaliar sua saída definitiva do meu armário. Algumas voltam, assim como a moda. Mentalmente justifico cada retorno ao seu lugar de origem. Resolvo que só vou finalizar esta arrumação no outro dia pela manhã, agora está na hora de dormir.

O despertador toca. Espreguiço, espreguiço de novo e vou direto pro banho. Agora, mais acordada, enrolada na toalha e em busca de uma roupa, olho a pilha e visto algo do armário. Todas aquelas peças voltam ao seu devido lugar de uma só vez.

Sem justificativas, sem explicação e sem a menor organização metódica de cores, elas voltam a ser minhas. Eu já estava com saudade!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

COTAS RACIAIS ESTIMULAM O PRECONCEITO



Por Paula Tubino

O tema é polêmico, basta falar sobre o sistema de cotas raciais para se ouvir os mais divergentes pronunciamentos, até mesmo entre antropólogos e sociólogos. As opiniões ficam divididas entre educadores e a população em geral, até porque, é desta multi etnia que o Brasil é composto .

A questão de destinar vagas exclusivas nas universidades para negros, índios e alunos egressos de escolas públicas gera polêmica e angaria argumentos. Há quem diga que esta é uma forma de reparar as diferenças e diminuir as desigualdades, outros tantos apresentam argumentos contrários, de que a medida só reafirma o preconceito racial.

Particularmente concordo com este segundo grupo, acredito que a prerrogativa das cotas divide a sociedade por raças e gera preconceito entre pessoas, que deveriam ser julgadas pelos seus méritos e não pela sua etnia. O Brasil é um país miscigenado, como avaliar quem pertence ou não a determinado grupo racial? Ora, todos nós carregamos esta “mistura étnica” e as cotas raciais, ou o privilégio a alunos egressos de escolas públicas, só pratica um movimento separatista, extremamente excludente, confundindo o preceito de igualdade e dignidade.

Acredito ainda, que o sentimento de inferioridade incorpora estes jovens, que chegam as Universidades dentro de uma ideologia - de cotistas - e não de igualdade como introduz a Constituição Federal, no artigo 19. III: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”.

Seguindo esta premissa o sistema de cotas é inconstitucional e, ao que se propõe - a inclusão social - passa longe. Este segundo item só será possível com um ensino básico de qualidade, garantindo as mesmas oportunidades a todos. As cotas chegam como um paliativo a um dos grandes problemas da educação no Brasil, a base curricular, que é deficitária na rede pública e, o pouco aproveitamento desses alunos, que muitas vezes são de família de baixa renda e priorizam o trabalho para garantir a sobrevivência.

Em suma, o que define quem entra ou não numa Instituição de Ensino Superior é a qualidade de ensino durante todo o seu histórico escolar e não a sua etnia. Alunos pouco preparados chegam e saem das universidades sem a base profissional necessária, porque os quatro ou cinco anos de graduação não dão conta de reparar as deficiências dos 12 anos de estudos anteriores. Se as diretrizes da educação não forem repensadas pouco poderá ser feito e, a ideia de incentivar o estudo através das cotas, isso é balela.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

APERTA O BOTAO SOME DAQUI

Ela aceitou o convite para sair. Entre a escolha da roupa, maquiagem, cabelo, salão, bolsa e o stress normal de um encontro, foram aproximadamente 5 horas. Ele chega, antes da hora marcada e toca o interfone.

Ela desce. Linda!Sapato de cetim, bolsa de mão, vestido preto e acessórios em dourado. Unha feita e cabelo solto. A Maquiagem é digna de profissional e o perfume lembra notas de jasmim.

A porta do elevador abre e ela vê a visão do inferno: o cabelo feito uma escova ao contrario, se é que isso existe, tênis sujo, calça furada, camisa desbotada verde e casaco de moletom três números maior. Ele cheirava a nada, talvez mofo, carregava um copo de plástico verde e antes mesmo de cumprimentar solicita gelo.

Ela pensa que neste exato momento o elevador devia cair no poço, com uma passagem secreta, que a levasse direto a sua cama, esquecendo aquela decepção.

O moço de olhos bem azuis interrompe seu pensamento e pede gelo.

Ora, não se anda com gelo no bolso, pensa a moça que de decepcionada passa a irritada. Sua imaginação continua a divagar sobre o que estava fazendo ali, naquele exato instante, daquela forma e com aquele sujeito que insistia no gelo.

Onde já se viu, nem se sabe para onde vai e o whisky já esta no carro. Ao entrar, sem nenhum gesto de gentileza ele solicita que ela segure a garrafa. No Rotulo: Xiboquinha – Cachaça tipo exportação.

Cade, cadê? Ela procura um controle, um botão, um celular... alguma coisa que apertando faça aquela aberração sumir da sua frente. De uma vez por todas.