Por Paula Tubino
Relógio não havia. O sol na janela do longo corredor do hotel informava que já passava das 5 horas da manhã. O traje não era algo apropriado para o café, tão pouco para circular por aquela área coletiva. Ela vestia uma camisola preta, com renda e transparência. Seguiu no rumo da escada de incêndio, desceu alguns lances de escada, subiu outros, bateu em alguns apartamentos. Sua vã consciência parecia desacordada. Desceu até a recepção e pediu que lhe informassem o numero do seu quarto. Não portava chaves, nem identificação, sequer a mínima dosagem de juízo. Bateu a porta que não respondeu. Com a ajuda da recepcionista, adentrou seu quarto. Empurrou a pedra que tomava conta de toda a cama e seguiu o sono merecido. Poderia ser apenas um sonho, se não houvesse o registro do circuito interno do hotel...
Relatos sobre uma visão crítica, útil, as vezes fútil e um pouco sarcástica de quem não deixa o mundo passar despercebido. A idéia é repercutir as falas, que de alguma forma me deixam inquieta, sob uma forma irônica, divertida e por que não, até mesmo fútil de um mundo vivenciado com os mais diversos personagens e sob uma visão muito pessoal.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
E o nariz de palhaço vai para... o Eleitor
Parte 1
Em um país em que a imprensa da o mesmo destaque a morte do único Nobel de língua Portuguesa e a mocinha semi-letrada que agora é “escritora”, após escândalo em Universidade, não poderia deixar de ter Tiririca concorrendo à câmara e elas, que estão na moda, às “mulheres frutas”. O que sempre tive como vulgar (exageros – de bumbum, seios, pernas) ganha nome de pomar e peita as urnas. Li por ai que a Dona Pêra intitula-se Atora e diretora de espetáculos públicos. Não, eu não errei o feminino de ator e outra, quando o assunto é grau de instrução, ela descreve suas titularidades absolutas: lê e escreve! Aos 24 anos, quer ser deputada federal por SP quando crescer, mas como o quadril ganhou repercussão nacional, acredita que possa entrar este ano mesmo. Ao seu lado, a parceira Dona Melão. Mais modesta, peita a candidatura para deputada estadual. Tem superior incompleto, porem ficou confusa quanto a sua profissão e limitou-se a escrever Outros. Não ficam muito atrás os ex- jogadores de futebol, que aparecem como fortíssimo candidatos Federais. Boxeadores e comediantes também incorporam a lista, o que seria uma eterna piada, caso não fosse verdade. Política nesse país virou piada e quem fica de palhaço no picadeiro é ele, o eleitor.
Em um país em que a imprensa da o mesmo destaque a morte do único Nobel de língua Portuguesa e a mocinha semi-letrada que agora é “escritora”, após escândalo em Universidade, não poderia deixar de ter Tiririca concorrendo à câmara e elas, que estão na moda, às “mulheres frutas”. O que sempre tive como vulgar (exageros – de bumbum, seios, pernas) ganha nome de pomar e peita as urnas. Li por ai que a Dona Pêra intitula-se Atora e diretora de espetáculos públicos. Não, eu não errei o feminino de ator e outra, quando o assunto é grau de instrução, ela descreve suas titularidades absolutas: lê e escreve! Aos 24 anos, quer ser deputada federal por SP quando crescer, mas como o quadril ganhou repercussão nacional, acredita que possa entrar este ano mesmo. Ao seu lado, a parceira Dona Melão. Mais modesta, peita a candidatura para deputada estadual. Tem superior incompleto, porem ficou confusa quanto a sua profissão e limitou-se a escrever Outros. Não ficam muito atrás os ex- jogadores de futebol, que aparecem como fortíssimo candidatos Federais. Boxeadores e comediantes também incorporam a lista, o que seria uma eterna piada, caso não fosse verdade. Política nesse país virou piada e quem fica de palhaço no picadeiro é ele, o eleitor.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
HOMEM MAIS NOVO (SÓ AS VEZES)
Se o que você busca é um “up” na autoestima esta é uma excelente opção. Sem contra indicações, mas esteja preparada para se submeter a um monólogo em excelente companhia. Sim, ele não se contrapõe ao que você diz, não é competitivo, nem fala sobre grandes viagens, as culturas ocultas de cada país e a gastronomia peculiar de cada região. Se você citar economia e política terá olhos brilhante e bem atentos a cada palavra. É que ele admira a forma como você coloca cada argumento e, escuta suas experiências como ninguém. Ele te acha incrível, nunca conheceu uma mulher assim e é totalmente atraído pela sua inteligência, pouco valorizada por outros. Ali, naquele exato momento, você não é mais uma, é A MULHER. O melhor de tudo: não tem os medos e traumas dos mais velhos, está começando a viver, acha tudo lindo e acredita em todas as mentiras que você quiser contar. Na verdade ele que é lindo. A pele tem uma textura diferente, veste um jeans super estiloso, com uma camiseta meio amarrotada, mas isso é o de menos, sem contar que esta tudo no seu devido lugar e com acabamento singelo da academia. Barriga? Nadinha. O que também serve para designar seus recursos financeiros para pagar a conta desse restaurante. Dividir é luxo, a real é que a conta é sua e ponto. Ta vendo? Quem manda sair com homem mais novo...
terça-feira, 20 de julho de 2010
Ahhh os meus amigos...
Tenho de todo tipo. Os do trabalho, que convivem nos melhores e piores dias; os que estão longe e provam que a distância é superável, pois se fazem presente a cada momento; os de infância que pouco contato tenho, muitas lembranças guardo e sempre que falo parece que foi ontem. Os de farra – desses todo mundo tem um punhado - é a relação movida a vodca ou qualquer outro destilado, presentes nos horários mais tardios e muito próximos a caixas de som. Também tem os amigos cools, culturetes, antenados e aqueles nem ai pra nada, que buscam a explicação para tudo na filosofia, antropologia, sociologia e tantas outras “ias”. Tem os amigos “pau pra toda hora”, aqueles que eu ligo quando fura o pneu, quando as lagrimas insistem em cair, nas noites em claro ou simplesmente pra almoçar num restaurante novo. São etnias, convicções, estilos, anseios, tudo tãaao diferente e ao mesmo tempo todos tão especiais.
São as minhas menininhas de antes, as de hoje, meus melhores amigos... é a família que não veio comigo, mas que escolhi para estar comigo. Amigos são amores sinceros, sem interesse, escolhidos por afinidade, energia, ou pelas diferenças e complementariedade.
Este post é dedicado a eles, que fazem das minhas noites mais divertidas e das minhas manhãs mais ensolaradas, muitas vezes pelo simples fato de saber que estão ali, perto ou longe, sempre presente de alguma forma e prontos para partilhar dos mais variados momentos.
A vocês, Feliz dia do amigo!!
Por Paula Tubino
São as minhas menininhas de antes, as de hoje, meus melhores amigos... é a família que não veio comigo, mas que escolhi para estar comigo. Amigos são amores sinceros, sem interesse, escolhidos por afinidade, energia, ou pelas diferenças e complementariedade.
Este post é dedicado a eles, que fazem das minhas noites mais divertidas e das minhas manhãs mais ensolaradas, muitas vezes pelo simples fato de saber que estão ali, perto ou longe, sempre presente de alguma forma e prontos para partilhar dos mais variados momentos.
A vocês, Feliz dia do amigo!!
Por Paula Tubino
quinta-feira, 15 de julho de 2010
MOMENTOS, FASES, CRISES
Quando se passa da casa dos 20 e poucos para os 20 e muitos algumas coisas mudam. Você percebe que já perdeu um homem maravilhoso por bobagens, que devia ter lido mais durante a faculdade, que namorou pessoas que não tinham nada a ver com você, que se queimou com uma pessoa especial por isso (só se descobre isso beem depois. Descobre que as noites de angustia, em claro, o choro, as paixões fervilhantes, as frases de sempre, as madrugadas conversando no carro, sem a preocupação com os compromissos do outro dia, a saudade que dói... tuuuudo passa e começa a ser muito mais simples e racional. É mocinha, você cresceu, amadureceu – aos trancos e barrancos e ... endureceu... Euuu? Dizem por ai que sim, mas o esforço para mudar esse conceito é grande, tanto com os outros como comigo.
Ahh, então amadurecer é um porre viu?! E porre de vinho vagabundo, que da uma super ressaca no outro dia (coisa de adolescente). Saudade tenho dessa época... Era capaz de me apaixonar ate doer, morria de amores, ai passava e morria de raiva e ai passava e quase morria com tanta balada e assim ia levando.
Poucas coisas me desapontavam, as expectativas eram bem menores e possivelmente atendidas. Foi assim que emendei um namoro no outro. Até o último. O problema mesmo é o ultimo, a gente sempre gosta mais do ultimo. É sempre mais importante, presente e quase-perfeito, não fossem algumas 1.567 coisas que poderia melhorar...Como não melhorou, dançou e como não veio correndo pedir desculpas, fico aqui achando que ele era a ultima coca-cola do deserto.
Lógico que eu nao vou ligar. E também não vou atender. Não na primeira ligação e também não vou amolecer. Não com as frases prontas de sempre. E também não vou aceitar o convite para jantar. Ao menos não numa segunda-feira qualquer...
Por Paula Tubino
Ahh, então amadurecer é um porre viu?! E porre de vinho vagabundo, que da uma super ressaca no outro dia (coisa de adolescente). Saudade tenho dessa época... Era capaz de me apaixonar ate doer, morria de amores, ai passava e morria de raiva e ai passava e quase morria com tanta balada e assim ia levando.
Poucas coisas me desapontavam, as expectativas eram bem menores e possivelmente atendidas. Foi assim que emendei um namoro no outro. Até o último. O problema mesmo é o ultimo, a gente sempre gosta mais do ultimo. É sempre mais importante, presente e quase-perfeito, não fossem algumas 1.567 coisas que poderia melhorar...Como não melhorou, dançou e como não veio correndo pedir desculpas, fico aqui achando que ele era a ultima coca-cola do deserto.
Lógico que eu nao vou ligar. E também não vou atender. Não na primeira ligação e também não vou amolecer. Não com as frases prontas de sempre. E também não vou aceitar o convite para jantar. Ao menos não numa segunda-feira qualquer...
Por Paula Tubino
quarta-feira, 7 de julho de 2010
DESINTERESSADA
Ok! Já desisti de estereótipos idealizados. O que chegou mais perto do que sempre imaginei em um homem namora um amigo meu. Também desisti dos radicalismos e dei uma, duas, três chances para a relação. Voltei a trás e até aceitei pedidos de desculpas e, pior, acreditei nos planos e frases. Não funcionou. Tem uma hora em que tudo vem à tona, quando não é verdadeiro, o “caldo entorna” e eu percebo pela miléeesima vez, aquilo que sempre soube: As pessoas não mudam. O fado apertou e eu desisti de tentar. E desisti de me apaixonar também. Deixa como está. Trabalho, academia, casa, almoço com as amigas, comprinhas, viagens, jantares em família, trabalhos extras, livros, filmes, teatro e MBA. Pronto, já lotei a agenda e acho que não consigo encaixar ninguém nos meus horários. Se aparecer vai ter que implorar, pedir remanejo de agenda, mandar currículo por e-mail e passar pela aprovação dos meus traumas, suprir boa parte das minhas expectativas e tentar ajuda dos bombeiros, para um resgate do meu mundo particular e um tanto quanto egoísta, no dado momento. A entrada só é permitida a pessoas identificadas. O crachá que uso é bem claro, quanto ao estado civil e social: DESINTERESSADO (A)
quinta-feira, 17 de junho de 2010
VIDA LOUCA VIDA
Eis que saio de uma Missa de 7º dia. Ele era jovem, 32 anos, cheio de etapas para passar nesta vida. Algumas antecipou e o findo dos seus dias aqui na terra foi em função de um câncer. O namorado da minha amiga (que sem chances de ser viúva acabou perdendo os planos para a doença dele) deixou tudo pela metade. Ela conseguiu reunir quem se preocupa e se sensibiliza pelo momento, além dos amigos dele. Eu o conhecia, mas encontrei poucas vezes, sempre em festas, agitos e encontros com turmas grandes. Quem diria, aquele seria o próximo encontro com todas aquelas pessoas, que de maquiadas estavam apáticas e abatidas, com a circunstância da vida. Enfim, ele foi. Deixou dois filhos, uma mãe inconsolada e uma namorada, irmãos sem o mesmo brilho nos olhos e reuniu as mesmas pessoas, de um sábado qualquer na balada, naquela igrejinha, lotada! Ao fim da Missa, a família recebe o carinho e consolo de todos e neste mesmo momento, uma interceptação da cerimonialista avisando que: - é preciso liberar a igreja, pois, vai começar um casamento. Entre as lágrimas de muitos, olho para as fileiras atrás e elas já foram preenchidas por pessoas com sorrisos, felizes, maquiadas e com modelitos que nada remetem a Missa, prontos para tomar os lugares mais a frente, a espera da noiva, enquanto uma mãe lamenta a perda de um filho. No caminho para casa dá um aperto no coração e uma angustia de ver o quanto a vida é incoerente. No exato momento que uns nascem, outros morrem, alguns casam, outros pedem o divorcio... E eu? Eu sigo pra casa, meio atordoada com esta circunstancia, que embora não seja novidade para ninguém, choca e desanima qualquer pessoa numa sexta-feira à noite. Ligo para a casa, para as minhas amigas mais próximas e para minha irmã. Senti medo de perder as pessoas que eu amo.
Já dizia Cazuza: “Vida Louca vida, vida breve...”
Por Paula Tubino
Já dizia Cazuza: “Vida Louca vida, vida breve...”
Por Paula Tubino
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