quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

MUDANÇA

Por Paula Tubino

São mais que necessárias e ano que vira, furacão que normalmente se instaura e deixa tudo de pernas para o ar. Já prevendo que algo deve acontecer, começo mudando a cara do blog, que ganha novas cores, mas mantém a mesma abordagem editorial, que fique claro: por enquanto.

Já que esse espaço é meu preciso dizer que já me acostumei com as mudanças e pelo histórico familiar não posso ser avessa a elas, até porque elas chegam sem aviso, sem permissão, sem nada a declarar e simplesmente mudam tudo, ou quase tudo. Foi assim desde que eu era um projeto de gente e segue ate os dias de hj, ano após ano, entre dezembro e março.

Numa retrospectiva breve, de 2007 pra cá, entre o final do ano e o inicio de 2008 mudei de cidade, de casa, de carro, de emprego, de ciclo de amigos, a cor do cabelo... Em 2009 mudei de cargo, de casa, assumi coisas, contas e descobri uma sinusite emocional que me deixou de cama por dias. Em 2010 mudei de empresa, de casa, de namorado e principalmente, mudei minha postura em relação ao mundo. Ahhh sim, quase esqueço de dizer que este deve ter sido o meu ano da limpeza. Perdi o celular duas vezes, agenda, carteira (com documentos, cartões) e ainda financiei a noite de um bêbado, com algumas doletas de R$ 100, que estavam na carteira. É assim limpei...

Para 2011 o planejado é apenas mudar de casa (uma constante na minha vida) e o corpo, além de retomar o MBA e o inglês, viajar mais e... Um novo desafio profissional até que cai bem, pode até ser uma consultoria, um frela, um propósito novo em outro segmento... ideia sendo amadurecida aos poucos e sem pressa.

Fato que ela vem, causa alguns estragos, deixa algumas lições, causa “abalos sísmicos”, suportáveis, mas sempre vem para melhor... Nem adianta reagir, aguardo sua chegada -  nem tão ansiosa assim  - e ai paro, olho, respiro 357 vezes, analiso e vejo as providencias que devem ser tomadas para minimizar seus efeitos nocivos. Enfim, é emoção nova chegando, energia renovando e só acontece com quem consegue administrar e viver o lado bom das mudanças. Pode vir querida, bate na porta e entra. Já estou a sua espera desde 2010.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CAPÍTULO NOVO

Por Paula Tubino

Eu já disse, ou ao menos pensei, “sua hora passou, seu tempo acabou, suas falas já não tem o menor sentido...”. O sentimento acabou mesmo. Foi enterrado junto com as expectativas, com as promessas fugazes, com a vulnerabilidade de uma relação sem previsibilidade... Sem futuro. Era assim, ele ia e voltava com uma liberdade concedida e compartilhada. Eu avisava que o direito de ir é vir era a nossa premissa, mais isso também poderia mudar sem aviso prévio. Rodava por ai, pensava, provavelmente conhecia uma ou outra e o fato é que sempre voltava, com um sentimento voraz e decidido a retomar. Por horas fui “A Mulher da sua vida”, por outras tantas quis tudo àquilo que ele já viveu e, portanto, o fardo era bem pesado. Na verdade sempre quis apenas as experiências novas, aquilo que ainda está por vir, que não vivi, o que não doeu e os erros que não cometi. Eu só queria audácia, sinergia, coragem... Eu só encontrei medo, culpa, angustia. Fechei a porta pela última vez e não abri novamente pra você entrar. Curei todos os medrosos que passaram pela minha caminhada. Virei casulo e me reconstruí dentro dele. Curti minhas horas, meus momentos e abri a porta para alguém tão diferente da repetição de comportamentos a qual estava habituada. É alguém tão curado quanto eu, tão destemido quanto eu planejava, tão divertido e seguro quanto eu desejava. Abri, deixei entrar e fechei a porta para o que acontecia em volta. Ele, por sua vez, embarca comigo nessa jornada de descobertas e é a aposta de que quando você percebe o que anda fazendo com a sua vida e, deixa de repetir comportamentos, alguém diferente do convencional atraca, coloca a ancora, ganha o espaço e ponto final. É página nova de um livro que não cansa de mudar a cada capítulo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

CHAPÉU DE CHUVA

Por Paula Tubino

Vocês querem um chapéu de chuva? Tenho uma coleção, de varias cores e modelos, é só escolher... completou a mãe do namorado. O fluxo dos pingos que caiam do céu aumentou consideravelmente e era preciso andar um pouco para chegar a qualquer restaurante, mas chuva alguma me faria colocar um chapéu para proteção. Com ar de pânico agradeci o empréstimo, mas descartei o acessório. Enquanto imaginava suas cores e modelos senti medo de sair com algo assim pelas ruas de Copacabana. Será que entre pessoas mais velhas é comum este tipo de adereço? Imaginei alguns com abas longas, outros mais curtos, material impermeável, com tecnologia capaz de escorrer ou absorver os pingos, em cores neutras e em tecido de oncinha, mas não conseguia me imaginar com o complemento. Senti medo e tentei a comunicação por olhares, para que o namorado continuasse a negar o empréstimo. Minha sogra insistiu. Neguei mais uma vez e outra e outra... Imaginava as cores berrantes e como esconderia depois o tal acessório de chuva. Quem usa chapéu de chuva nem precisa de melancia na cabeça, pensei. Deve ser algo bem antigo ou moderno demais para o meu estilo, mas decididamente não vai dar pra descer o elevador com um chapéu a prova d´agua. Disse não, não e não. Arregalei os olhos e fui levada ate o armário que escondia a coleção inusitada. Fechei os olhos e só abri quando percebi a porta sendo escancarada, para que eu escolhesse o meu. É não tinha escapatória, teria de levar o tal protetor de cabeça. Era muita insistência e pouca intimidade para mais de vinte repetições de “não precisa, obrigada”. Ao abrir da porta, no momento em que consegui acalmar coração, olhares, bocas e um corpo apreensivo pelo que teria de levar pelas ruas e bem ali,  na cabeça...Ufa! Era apenas uma coleção nas mais diversas cores e tamanhos de sombrinhas e guarda chuvas, sinônimo de Chapéu de chuva para quem é natural do Pará. Empréstimo aceito. Prefiro aquele floral, pequeno. Devolvo amanhã. Obrigada!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mulherão??!!

Por Paula Tubino (publicado em 20/12/2010)

Saio do almoço pensativa, com a palavra utilizada pelo reduto masculino ao apreciar uma mulher da mesma forma que cachorro no açougue. Ela, pouco mais de 1,65 de altura, pernas bem definidas, assim como bumbum, braços e barriga. Reconheço o esforço da moça, que, sem duvida despende muitas horas do seu dia a academia, outras a nutricionista, procedimentos estéticos e com certeza carrega uma dura lista de restrições alimentares, porém, meu parâmetro para o uso da palavra "MULHERÃO" é outro...
Mulherão é quem acorda cedo pra malhar, para preparar os filhos pra escola, delegar as atividades da empregada e ainda continua correndo pra nao chegar atrasada na reunião com o clinete. É quem administra a casa, as compras, as contas e ainda acha tempo pro analista, tudo isso pra se tornar uma pessoa melhor para si e para o mundo.

Mulherão é quem administra uma empresa e fecha balancete no final de semana, ou atende clientes sisudos e cuida de crises de imagem numa semana em que sua vida pessoal está meio caótica. Mulherão é quem recebe uma ligação do marido enfurecido falando do botão da camisa que caiu e consegue achar a solução na maior calma... É quem lê os principais jornais pela manhã, mantem um livro de cabeceira, tem um dia assombroso e mesmo assim não esquece de honrar os seus compromisso e a vida social.

Dentista, depilação, mercado, unhas feitas, agenda milimetricamente organizada, com atividades fora do horario comercial... Só um mulherão sabe o que é administrar vida profissional e pessoal sem gafes, sem direito a regravação, sem rascunho. Mesmo sem ter o corpo que gostaria, vai dormir com a certeza de que fez o seu melhor...Conheço muitas delas, estão por ai, circulando pelo mundo e por horas passam despercebidas, nos seus terninhos ou vestindo um jeans  qualquer, não mostram atributos aparentes, mas carregam uma lista enorme de caracteristas que as coloca como um verdadeiro mulherão.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O MELHOR DE TODOS OS CARGOS


Por Paula Tubino

Falo em você, sobre você...Conto que você e eu somamos e viramos nós.  O brilho dos meus olhos dispensa qualquer comentário da felicidade tenra, finalmente instaurada. É paz de espírito, de alma, de coração...É você me fazendo gargalhar sem motivo aparente e a gente conversando por horas enquanto a pista de dança ferve. Conto nossas afinidades, nossos momentos, nossos planos... E tudo que querem saber é o que você faz, sua idade, onde mora...
Mora ali, num longe-perto, onde eu passo o final de semana e perco a hora quando tenho que trabalhar de manhã. Idade? A mesma que eu quando estamos juntos. O que você faz? Me faz ainda mais feliz. Não esta bom não? Não basta?? Ahhh me leva pra fazer coisas que a gente adora juntos e que não importa onde, nem quando, nem quanto... E nessa hora você podia ter qualquer profissão e eu nem ligo pro status que os outros veem em você, porque na minha vida o seu cargo é único e importante: É o dono do meu coração, que bate mais feliz por saber que amanhã tem mais vc por perto...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

TELEFONE SEM FIO


Por Paula Tubino

Uma passagem para o fim do mundo, só de ida, por favor?! Essa foi a última frase, após um demorado suspiro de quem nem quer olhar para o celular por dias, após um desfecho inusitado de uma situação tão pessoal. Eles estavam um tanto quanto estremecidos após a última discussão, por um motivo banal qualquer, típico do desgaste do casamento. Sem meias palavras e num ato espontâneo ela resolve mandar uma mensagem ao marido. O conteúdo curto e direto foi enviado com sucesso e o final foi feliz entre eles, porém, ela não contava com um dispositivo do seu aparelho de celular, que envia a mesma mensagem a toda a agenda. Pessoas do trabalho, amigos do marido, as amigas dela, todos receberam a mensagem que dizia: “QUERO DAR PRA VOCÊ HOJE”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO!

Fonte: Jornal de Brasília
Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, critica o "cinismo"...dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que "tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro".
 Leia o artigo na íntegra:

É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.

Quanto mais glamoroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco. Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.
Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade roporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.
Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
 Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:
 "Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro."