quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TERREMOTO

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Por Paula Tubino                                                  Capítulo 01

Já li sobre alguns. Os depoimentos dos sobreviventes, a imagem de quem viu tudo desabar, os traumas de quem fica, a dor por quem vai, a imagem do que era e do que sobrou... A falta, o vazio, a subtração. Foi assim que me senti por dias, juntando peças, cacos, ego, identidade, buscando explicações, convivendo com a ausência, aprendendo a acordar sem você. Eu bati a porta pela última vez. Não questionei, não senti sua pulsação,  nem vi olhos mareados, apenas tomei a decisão mais acertada diante dos acontecimentos. Era um domingo qualquer, com  todos os deleites que se pode ter de um namoro ameno, tranquilo, feliz e cheio de afinidades. Sem brigas, sem estrondos, sem nada. Programávamos o próximo final de semana, conversamos sobre as atitudes dos outros, curtimos a preguiça pós almoço, falamos sobre viagens...Era pra ser só mais um domingo qualquer, ate que você achei motivos suficientes para bater a porta da frente carregando minhas coisas e toda a minha ira. Entrei no carro e não sei bem como ele chegou em casa, nem como consegui fazer de conta que você  não existia a partir daqueles minutos. Vi nossa historia passar em segundos, tudo desmoronando e em meio aos destroços, eu levantava  naquela segunda-feira, afim de verificar a frequência cardíaca, os movimentos, a vida que seguia atrás da janela do meu quarto. Sem você, sem o “nós”, sem o biquíni pendurado nos seu banheiro, sem os planos, sem nada... Acordei com a pior sensação de todas, a da perda.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ÚLTIMO PEDIDO

Por Tati Bernardi

Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: Minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você.

terça-feira, 10 de maio de 2011

lição

Amiga você aprendeu a lição? - Diz ela indignada!
Eu?? Não, não aprendi. Lutei pra entrar, relutei o dobro para sair, sangrei por dentro e senti o mais feliz vazio de todos os tempos, o de não ter absolutamente ninguém na lembrança, na cama, no dia, no coração e em canto algum. Vivi o mais surpreendente egocentrismo e tomei a vacina mais potente contra qualquer interferência mundana, tudo em prol da  cura. Curei e comemorei cada segundo só meu. Cativei a indiferença e o mais comovente dó, pena mesmo e a gratidão de terem tirado alguém assim, tão "não meu" de mim.  Disse não ao anterior e segui dizendo por inúmeras vezes.

Ai vem ele, cheio de encanto, graça, gentilezas e sutilezas, nos mínimos detalhes... vem aos poucos, sem pressa, sem sufoco, sem relógio, sem promessas, sem mentiras, sem o estereótipo e aporta ali, na minha vida que antes era tão só minha. E ai eu escuto Marisa Monte e lembro dele e escuto David Guetta e também lembro e não escuto nada e a sua voz vem  e falo nele pra terapeuta e ele liga. Sei la quanto tempo vai durar, se quanto maior a altura maior o tombo, se quero ou se não quero, mas vou deixar a vida se encarregar do desfecho e vou sentir de novo o que de bom tiver que existir....

Novembro de 2010

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PONTO SEM FIM

Você decide que não quer mais, não suporta o que aconteceu, o fardo é pesado demais. Diga o que quiser, argumente como lhe convir, não há nada que consiga apagar as imagens que "abalaram o Castelo". Conversa concluída. parece que tudo volta ao normal, mas o inconsciente não para e volta a lembrar e argumenta falas, explicações, respostas e não conclui nada. O dia de martírio chega ao fim, com a decisão de que é preciso falar, doa a quem doer. Discurso pronto, frases montadas, roteiro finalizado. Entra no carro e segue pensando sobre todas as mudanças a partir da decisão tomada. Chega, demora a falar, perde os argumentos, as falas, o roteiro da um nó na cabeça e tudo vira apenas algumas palavras soltas. A emoção toma conta da razão e você percebe que não consegue concluir bulhufas de nada e nem dar um ponto final e nem terminar a frase e mesmo sem jeito, querendo finalizar a conversa, suspira e sai um "Então é isso". Espera ter forças para levantar sem que a lagrima corra antes de chegar ao carro, mas de súbito, o abraço não esperado. E a lagrima cai, e não tem mais carro, nem caminho de volta, nem conversa. Volta tudo ao normal após uns carinhos, as promessas de sempre e as frases mais normais do mundo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

TENTE OUTRA VEZ


Por Paula Tubino

Pode ser, você que sabe, eu não sei, mais ou menos... Expressões sem vontade broxam o melhor do meu EU, o maior dos projetos, altera drasticamente o meu humor e os planos.

Não gosto de coisas mais ou menos, sentimentos mais ou menos e muuuito menos pessoas mais ou menos. Doa a quem doer, o simples e decisivo “Não” é melhor que a inércia do “pode ser”, ou a falta de sal do “você que sabe”. Eu não consigo reagir a gente estática, apenas retrair.

Realmente não sei me doar por coisas e pessoas que tem a indecisão e não a vontade. Vontade de fazer, de ver, de ir atrás, de sentir, de contar, surpreender, executar, pensar... Enfim, falta de intensidade, com pitadas de criatividade não dá pro meu EU, sou muito mais que isso...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

FOTOGRAFIA


Por Paula Tubino

Lá esta o seu melhor ângulo, os sorrisos mais frenéticos, uma quantidade enorme de amigos, as viagens, as caretas, o cabelo impecável, o modelito novo e um amor que mais parece extraído do último capitulo da novela. Clica na seta e vê o símbolo da família unida. Típico álbum de uma dessas redes sociais de alguém qualquer.  Pode ser o meu ou o seu.

Nos bastidores das imagens, o alusivo poder da fotografia, o de eternizar momentos, de transpor felicidade infinita e realçar qualquer sentimento mundano. Na vida real, pessoas que sentem, choram , dançam, sonolentas, com humor matinal instável, preocupações, contas, atribuições, desejos, desafios, vivências diferentes... A vida real pode até não ser tão bela quanto parece, vide fotografia, mas é apenas dela que surgem os melhores momentos da vida.

Os amigos da foto, nem sempre são aqueles que você conta pra tudo e estes são escassos, mas de um valor nada mensurável. Nas viagens, com certeza momentos mágicos, mas os percalços de atravessar 3h de barco, a chuva, a praia que não teve, o atraso no vôo... Informações não expressas nos sorrisos da foto de frente pro mar.

O cabelo impecável fica um desastre sem escova, o modelito novo é apenas um entre outros mais casuais e bem conhecidos e aquele amor todo....?! Hum, passou 30 minutos ensaiando a tal foto. Ele tem seus ataques de grosseria, joga lixo no chão e odeia os atrasos dela. Ela rebate, tem a vida milimetricamente programada e não suporta suas bagunças. Mesmo assim, mesmo sem a eterna imagem da foto, são felizes juntos e tentam conciliar diferenças. A família é unida via interurbano e com visitas esporádicas, não mais que 15 dias, nem menos que duas vezes ao ano, a dosagem certa de um amor incondicional, mas que precisa de distância para sobreviver.

Assim é a vida real, sem molduras douradas ou photoshop, nem personagens perfeitos... Feita de momentos, de gente do bem, que sente, que vive, que amadurece e endurece aos trancos e barrancos. Feita de concessões, de momentos, de quem erra tentando acertar. Feita de GENTE e de fotografia.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CURTA AS CURTAS...

Por Paula Tubino
MORADORA NOVA - Ela sai do elevador apressada, algo em torno de 8h da manhã, rumo ao trabalho, mas antes de sair pelo portão é interceptada pelo porteiro, que pergunta: - A senhora é moradora nova de qual andar?
- Não moro aqui... Sou a namorada nova do morador antigo...
NOVAS - Almoço entre 2 casais de amigos. Eles se conhecem há mais de 20 anos, elas por intermédio deles e suas idades cronológicas ultrapassam por pouco o tempo da amizade dos dois. Um deles relembra um almoço, em que ambos estavam namorando com suas, hoje, ex- esposas, alto em torno de 18 anos atrás. O garçom passa e uma delas grita:  "- Ei, tira uma foto nossa, eles e suas novas e literalmente novas namoradas..."
MULHER E CARRO - Ligo o ar condicionado do carro e escuto um barulho estrondoso. Desligo e pela falta de tempo para parar o carro nos 15 dias posteriores ao ocorrido acabo tomando chuva com o vidro aberto, passando calor nos dias de sol forte até o dia em que decido pelo conserto do tido cujo. O técnico olha, explico o ocorrido, mostro o barulho e até arrisco um palpite sobre o defeito... Ele abaixa, bem próximo ao banco do passageiro e resolve o problema imediatamente. Um saco que pegou justamente no ventilador interno do ar. Volto pra casa com a cara de loira total flex.
RESPIRA - E quando eu acho que eu não agüento mais aquela carga o personal lembra que eu só gastei 60% da minha resistência. Quando eu acho que não agüento mais você, ai lembro que já gastei 60% da minha paciência...
CORDA - E é incrível como de repente eu sou mais amiga dos seus amigos que dos meus. De vez enquanto eu fico aqui, tentando entender porque eles te acham tão possessivo, mas tem uma corda no meu pescoço que não me deixa pensar...
RESPIRA II - E se a raiva insistir eu logo fico vermelha e vai dando uma vontade descomunal de abrir o berreiro... e só de pensar na minha fragilidade, assim, tão descoberta, ai tenho mais vontade ainda. Antes da explosão tento a racionalidade. Olho pro teto por cinco minutos, penso em algo que não tem o menor sentido, empino o nariz e... daqui, não desce nada e não sai uma palavra também. É só pisada forte, bico e nariz empinado.
LI POR AI - Se Ema é bicho, emo é bicha?!